A única condição que separa o sonho da realidade é a força de vontade em realiza-lo!
( Adriano Hungaro )

sábado, 3 de setembro de 2016

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A vida segue... 

 Tem horas que precisamos rasgar as melhores partituras, colocar fogo nas paisagens mais escuras e colorir o branco mais branco da lua. Tem horas que precisamos rasgar os retratos dos amores passados, guardar os segredos nos relicários e esquecer o mapa de onde todos nossos maiores tesouros foram enterrados. 

Tem horas que é melhor ficar silente, porque pedir perdão não terá causa e nem efeito, porque muito antes disso... o nosso "eu culpado" já assumiu seu ato imperfeito e condenou-se sem perdão. Tem horas que será necessário presar pela inércia, posto que os tantos versos escritos... serviram apenas para aumentar o tormento, para ampliar a busca, para aumentar o dano. 

Tem horas que as próprias horas não passam, simplesmente porque a gente também não passa... simplesmente porque a gente ficou parado no ponto, esperando uma confirmação de que tudo (repetido tantas vezes) estivesse pronto. Mas de tanta espera - percebemos que um outro novo caminho (no final) já era. E voltamos ao ponto inicial da partida, como se estivéssemos partindo ao meio à nossa vida, deixando um passado de hoje e recomeçando um futuro de ontem.

 Então... uma parte de ontem dá um novo ponto de início e dali ao abismo, basta um salto para o infinito! Assim - definitivamente -, tem horas que é melhor nem ter começado, porque depois do começo... existe um bocado de história, existe um amontoado de causos; existe um bocado de lenda... e tudo que restou não serviu para aprimorarmos a senda. 

Então de fato, nesse nosso constante aprendizado, tem horas que é preciso fazer escolhas e noutras submeter-se ao que nos escolheram. Tem horas que é preciso saber ouvir os até logo, os adeus e - até mesmo - os não me importo. Tem horas que precisamos guardar o coração para que ele não morra ainda mais... de prazer, de solidão, de medo ou de amor. Tem horas que é preciso deixar de pensar, posto que o pensamento dentro de nós vira tormento. 

Tem horas que é preciso saber abrir mão dos nossos maiores tesouros, dos nossos amores... simplesmente para que o nosso coração não afunde e para que outro coração, com muito mais precisão e maestria, valorize-os e transforme-os ainda mais em tesouros. E é justamente nessas horas... nas horas de abrir mão dos amores... que as pessoas se espantam, justamente porque se acomodaram ao velho baú. 

Tem horas, que na frente do espelho, não haverá uma palavra para contar... porque todas as palavras já foram ditas, todas as histórias já foram vencidas, todas as batalhas já foram encerradas. Tem horas que olhando bem nos olhos, que revendo todas as passagens, todas as quimeras, todas as jornadas... só veremos nós mesmos e, absolutamente, mais nada! 

Tem horas que o coração cala, a boca cala... e a vida segue! E se fugirmos dessa regra... tentando achar um algo novo... quem sabe veremos uma lágrima caindo... salgando os lábios, molhando o rosto de quem mais amamos! A vida segue... Os amores passam... O coração continua batendo! 

 ( Adriano Hungaro )

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